Diabo no corpo


19/11/2005


Há algum tempo não posto aqui. Não é por preguiça. O outro http://www.kidsshop.blogspot.com continua sendo atualizado. O problema é mesmo falta de criatividade pra levar dois blogs! Então, optei pelo outro. Esse não vai ser desatualizado, não. Pode ser que amanhã ou depois alguma boa idéia apareca. Por enquanto tô bloqueada.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 23h46
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03/10/2005


Gil e Torquato Neto... for all !!

Coisa linda nesse mundo
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
E ficar sem compromisso
Pra fazer festa ou comício
Com você perto de mim

Na cidade em que me perco
Na praça em que me resolvo
Na noite da noite escura
É lindo ter junto ao corpo
Ternura de um corpo manso
Na noite da noite escura

A coisa mais linda que existe
É ter você perto de mim
A coisa mais linda que existe
É ter você perto de mim

O apartamento, o jornal
O pensamento, a navalha
A sorte que o vento espalha
Essa alegria, o perigo
Eu quero tudo contigo
Com você perto de mim

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 22h28
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27/09/2005


Ofício

As pessoas e as coisas nunca cessam de se transformar. Se tudo pudesse permancer guardado na memória, numa direção precisa de tempo...Mas o sol torna-se mais forte e muitas sombras parecem mesmo diminuir.

- Não temos culpa - disse Mia, com um breve sorriso. Talvez ignorasse que naquele dia se distanciara de Vincent mais do que nesses dez anos de existência.

- O seu mal é ver muita novela Mia.

- Não. Não são as novelas.É em mim que existe algo diferente

- Você mudou muito Mia.

- É verdade, é verdade.

 

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 23h17
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20/09/2005


Conchinha

Dormir de conchicha. Acordar bem colocado. Pintaria essas estrelas luminosas que sobem pelas paredes das naves espaciais. Pintaria diabos, maçãs, uma opala de fogo dissolvendo-se numa lagoa,uma última mancha rosa.

Em outras vezes, acordar com o seu pé que respira enfado, que se deixa cair pra fora da cama como um gato que se espreguiça. Ouvir seu bocejo matutino, saber que faz pose fingindo dormir.

E então joga seus cabelos sobre meu peito, como quem acorda naquele momento, manuseando meu corpo de modo enérgico.

De repente você vira pro lado, de modo instintivo, como quase uma repugnância, mas com o sorriso de quem expressa um cansaço natural e sussurra” quero água”, para depois cair de volta no meu peito e dormir em um instante.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 14h57
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02/09/2005


xico

O XICO SÁ SABE TUDO:

"DA DEVASSIDÃO COMO POLÍTICA DA FÊMEA DE TODAS AS ERAS


a purificação de uma mulher só é possível na medida em que ela resolve ser uma devassa, como entre o povo tártaro; devassa no sentido de não temer o despudor nem a língua salivante da inveja; devassa como política libertária; como entre os negros do Rio Gabão e da Costa da Pimenta, que entregavam suas mulheres aos próprios filhos, a melhor das bênçãos;como no reino de Judá; só a lascívia embeleza uma fêmea; só mesmo os povos embrutecidos pela superstição, reza o marquês, podem acreditar no contrário; e acreditar no contrário é ir contra a nossa própria natureza."

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 19h40
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06/08/2005


needs

Reiniciei minha coordenação motora e puxei assunto com um amigo sobre os dentes mais podres que já havia visto. Tentativa vã para despistar qualquer vestígio de cara de idiota. Bobagem. Acabei confessando estar passado. Ele também estava, mas disse que ela tem namorado e que não quer assunto com os astros. E quem se importa com isso? Meu coração estava corado, minhas mãos frias. Como deve ser brincar na sua língua? Quero seu melhor beijo. Aquele que induz gostoso ao sexo, que lambuza dos dentes ao céu da boca e me faz querer um novo beijo, e mais um e mais outro. O tempo não conta. Se vier agora, tanto faz, porque virá cedo ou tarde. Se meu pensamento se tornar de fato substância, é melhor abrir as cortinas e ordenar aos atores que iniciem o espetáculo, dessa vez sem enredo. Me revelas um segredo e eu te digo como se deslocam as estrelas. Em quais entrelinhas? Tente as que começam num jogo de espelhos no meio de trepadas sem explicação para hoje e fundos falsos de sonhos. Finalmente ela sorri. Tenho vontade de morder-lhe o ombro.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 12h41
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03/08/2005


bleh!

Este blog andou meio de férias nos últimos dias. Queria ter aqui algo espetacular para postar. Mas não... não tenho que ter sempre algo pra postar. Acho que não...Afinal, nada pode ser mais enfadonho e imbecil que um monte de palavras...até porque duvido que um dia o Brasil venha a se tornar uma nação letrada. Se isso acontecer, eles lerão os livros errados. Caso leiam os certos, certamente não entenderão. O pior do Brasil, é mesmo o brasileiro. Xau.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 12h42
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26/07/2005


it´s my rage

– O que você estava fazendo ali?

– Agora não, disse ela submersa em lágrimas. Acho que não vou conseguir falar com você hoje.

– Vamos lá para casa, que a gente conversa melhor.

– Não, na sua casa, não. Vamos naquela praça perto da sua casa. Uma tonelada de silêncio entrou pela janela do carro. Meu Deus, será que é o que estou pensando, pensei.

Estacionei na rua que fica entre as duas praças. Eram quase oito da noite e só algumas pessoas faziam exercícios àquela hora. Desliguei o motor, olhei dentro dos olhos dela buscando uma resposta para aquilo que já sabia, e perguntei mais uma vez:

– O que você estava fazendo ali? Você estava na casa do Alex?

Foi aí que ela sacou a arma de dentro do casaco e disparou.

– Eu estou trabalhando lá. A produtora é lá. O lugar que ele trabalhava fechou, etc.

A dor é o que ficou na memória da hora do tiro, o resto foram só essas palavras. O resto, não consigo lembrar. Fiquei atordoado, era tanto sangue que saía do meu peito que achei que fosse desmaiar, ainda mais eu, que não posso ver uma gota de sangue que passo mal. Ela não me encarava e chorava, chorava, e chorava, e tentava explicar o que não dava para ser explicado. E eu, atormentado de dor, só procurava uma resposta para aquilo que eu já sabia.

– Você gosta dele?

– Não. A gente não transa, não faz nada. A gente está só se ajudando.

Será que eu posso acreditar no que ela está me dizendo?, pensei, enquanto da minha boca saíam outras palavras.

– Por que não me disse isso antes?

– Não sei.

Não conseguia ter raiva ou qualquer outro tipo de sentimento ruim. A única coisa que disse foi que nada daquilo era necessário. Não tinha porque ter me escondido tudo por todo esse tempo. Justo de mim, que sempre joguei limpo com ela. Não era justo. Mas o que eu podia fazer? Gritar, armar o maior barraco, dizer para ela sumir dali que eu queria morrer sozinho? Não, esse não é meu
estilo. A única coisa que disse, antes de morrer, foi:

– Ontem, quando você não apareceu, fiquei pensando o que era o amor. Qual era a diferença entre gostar de alguém, estar apaixonado e amar profundamente uma pessoa. Juntei tudo que estava guardado na memória, somei, multipliquei, subtrai e só não tirei a raiz quadrada da questão por que sempre fui péssimo em matemática. Mas o que importa é que descobri que adoro seu sorriso, o jeito que você anda quando está com pressa, suas roupas, a cara que você faz quando está transando, como você passa a mão no meu peito, seu papo, seu astral, de todos os barulhinhos que saem de dentro de você quando está com tesão, da sua voz.

Queria dizer mais. Só não falei porque morri antes de gritar:eu te amo.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 09h25
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23/07/2005


No hesitation, no delay
You come on just like special K
Now you're back and don't demand
I'm on sinking sand

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 10h36
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21/07/2005


work

Maquila, roupas, fazer unha, fuerza en la peluca, sorrisos, bebidas, living la vida louca, festinhas, muitas festinhas.

 

Acordei! Que porcaria é essa?

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 15h15
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19/07/2005


Algozes

Paixão:[do lat passione] Sentimento ou emoção levados a alto grau de intensidade, sobrepondo-se a lucidez e à razão.

O coração está pequenino, como quando as partes sentem frio. O corpo ri da cabeça, as partes, que ridículo. A claridade cega os olhos descobertos cravados num corpo que pode sair correndo. Os óculos não estão dentro da bolsa, apenas as receitas. A cabeça sabe que o razoável não é ir à academia mas para cama. O coração acorda. Na cama tem o buraco que leva embora o coração, que, por sua vez, não quer ir pra cama nem pro buraco da cama que abre na cabeça, mas, quer ser deixado bem longe. O coração fica sem dizer palavra. Ele não precisa dizer palavra, suas emoções transparecem. A cabeça canta baixinho e o corpo guarda o coração colado ao peito vazio. O taxista freia. O coração grita. O coração a gente não comanda, escalda todo o resto.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 04h51
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18/07/2005


MINHA NOSSA SENHORA!!!!!

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 11h30
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Fifo!!

Minha angústia procura salvação e espia por sobre os ombros: gosto de quem caminha lento - você pensa - depositando o olhar sobre as coisas como se as acariciasse, com cuidado enquanto que com renúncia; um certo pudor por não tê-las, coisas, de não ter com elas continuidade ou algo de íntimo. Pois há que se ter cuidados: loucura mansa é estrela sem pontas - mas é estrela. E de onde vem essa certeza absoluta, límpida, de eternidade? - se da esperança bebi, se do desconsolo fumei - se da falta me cuspi? Venho me alimentando de desesperos feito animal acuado, planta, verme, só porque costumo sempre acreditar ser esta a nossa condição: nadamos todos aflitos, pelos dias de todos os dias, fugindo dos tubarões, até que chegamos à bóia dos fins-de-semana, quarenta e oito horas que pouco a pouco se desmancham atraindo os tubarões e logo estamos à beira do naufrágio ou da tragédia a céu aberto, quando tornamos aflitos a nadar, nadar, nadar, e daí essa sensação de todos desesperançados - à menor sensação de porto, atracamos breve e então lançamos ao mar nossa satisfeita bóia: assim é que perdemos o almoço, na promessa da sobremesa que não vem, que nunca virá.

[Mas existem no frio desta cerveja - espuma sobre espuma - mares cordiais e sóis desconhecidos. Talvez por isso os grandes veredictos, as risadas gigantescas, os abraços ferozes - constelações que tapam nossos furos, nossos buracos-negros.] E assim, permanecemos cegos, como se na verdade fossem as coisas a nos olhar detidamente; como sabe aquele homem que na calçada ia lento.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 09h19
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15/07/2005


Encontraram-se numa locadora de vidéo. Ela devolvendo Magnólia pela vigésima vez. Ele louco por alguém que lhe explicasse o significado da chuva de sapos.

Trocaram telefones. Encontraram-se.

Mia tomou dois tragos fortes de 51 e começou a falar.

" O barman faz sexo virtual. A mulher de vermelho não sabe de quem é o filho que está esperando. O velho saindo do banheiro é gay e cheira cocaína".

Vincent não ousou perguntar como ela afirmava tudo aquilo com tanta seriedade. O barulho das bolas de sinuca o impediram de ouvir outras histórias. Continuava sem entender Magnólia, mas soltou a principal frase do filme. "Coisas estranhas acontecem o tempo inteiro". E levou seu Oscar.

Transaram lucidamente até que ela soltou um "eu te amo" precoce. Vincent não entendeu mas teve vontade de morrer naquele momento, e como se as palavras merecessem um pagamento milionário, soltou: "Também te amo".

Mia perguntou: Que papo é esse?. E foi atualizar seu blog na Internet. Iria escrever sobre filmes escorregadios.

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 00h30
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14/07/2005


Something

o joelhinho, o pézinho, os dedinhos , os bracinhos, as perninhas, a barriguinha...O narizinho, a boquinha, os olhinhos, o queixinho, a mãozinha, o joelhinho, o pézinho, os dedinhos , os bracinhos, as perninhas, a barriguinha...o narizinho...
Ela sorria. Ele conduzia. Ela revidava.Ele sorria. Ela reagia. Ela conduzia.Eu via. Eu via. Eu via!

Escrito por Cláudia Castelo Brancp às 09h29
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